quinta-feira, 31 de março de 2016
Eu prometi a mim, que eu só me casaria depois que eu vencesse o medo que eu tenho de nadar em lugares ermos. E também, depois de superar a aversão que eu tenho de psicanalistas, de medicamentos, de receitas de auto-ajuda, de discutir relacionamentos, da mentira disfarçada de verdade, da rotina em finais de semana, de propagandas de margarinas, do sexo feijão com arroz, do antes e o depois, dos meios sem fins, da implacável previsibilidade e da subjetividade que me dificulta determinar com total clareza os níveis de pH.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
"Não é à toa que entendo os que buscam caminho.
Como busquei arduamente o meu!
E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser,
o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido.
O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura
de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores,
o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei.
Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros.
Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei:
eis o meu porto de chegada”.
[Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’]
Como busquei arduamente o meu!
E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser,
o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido.
O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura
de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores,
o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei.
Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros.
Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei:
eis o meu porto de chegada”.
[Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’]
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
" Se você sobreviver sem mim, quem sabe poderemos nos encontrar em uma nova estrada. Eu não serei tão amigável, pois não a deixarei fugir levando o que não lhe pertence:
Meus eus infinitos, minha pele, meus vícios, minha necessidade de solidão. Claro que isso é apenas uma hipótese que estou considerando no caso de você conseguir sobreviver sem mim. "
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Eu juro que pensei que se despedir devagar podia doer um pouco menos. Pelo menos à primeira vista era o que me parecia… “Vamos ser amigos”, repetimos em consenso. Talvez por inexperiência ou por ingenuidade – o que eu creio que seja mais provável –, nos enchemos de esperança, achando que o amor poderia se eternizar: e que, mesmo sem romantismo, pudesse quem sabe se tornar uma convivência quase amigável.
Só que um dia desses, a gente se perdeu.
Eu lembro bem: ninguém estabeleceu uma data certa ou marcou no relógio hora exata pra ir embora de vez. Só fomos rareando aos poucos a conversa, e o “oi tudo bem” cada semana mais mecânico. As novidades que apareciam já não tinham razão de serem divididas: porque, sem convivência, que graça tem ficar compartilhando a vida?
Na verdade, acho que a gente foi é se acostumando à ausência. E quando viu, já não se precisava mais.
Eu sei; é duro, é esquisito. Há bem pouco tempo isso nunca seria possível, nem naqueles pesadelos que levam embora o sono às 3h25 da madrugada. Mas quando não há afinidade que una nem amizade verdadeira que prenda, a paixão vai dando as costas e carregando com ela qualquer motivo pra ainda estar perto.
Você e eu bem que tentamos.
Mas uma hora dessas, a gente se perdeu.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Às vezes eu acho que me faz mal pensar em você, até porque você não existe. Provavelmente você é mais real na minha cabeça do que jamais será em algum corpo humano, que eu vou gostar tanto, mas ainda vou gostar menos do que aqui, na minha cabeça.
Às vezes tenho uma impressão de que você está aqui e é só descer as escadas para te encontrar. Eu sei que posso descer e que, se descer, você vai estar lá. Eu posso. Está nas minhas mãos. Mas não desço. Fico aqui, nesse sofá velho. Nem me pergunte. Não sei porque.
Às vezes eu quero levantar e ir atrás de algo que não tenho aqui nesse sofá. Fico arquitetando por horas. Compro pelo computador tudo o que preciso para sair daqui. Mas antes de qualquer coisa acontecer eu desisto. Escrever dá sono, pensar da sono, arquitetar da sono e já que estou no sofá, aproveito para dar um cochilo.
Tem uns dias em que eu acordo tão bem que esqueço que quero sair para te encontrar.
Tem uns dias em que eu acordo tão angustiado que não consigo nem pensar em como ir te encontrar.
Tudo parece desculpa.
Tudo é desculpa.
Desculpas sem erros e também sem atitudes.
Seria muito mais fácil se você viesse me encontrar.
Mas fácil não tem graça.
Fácil não existe.
E você também não.
Assinar:
Postagens (Atom)


