terça-feira, 27 de outubro de 2015

Você não existe.

Às vezes eu acho que me faz mal pensar em você, até porque você não existe. Provavelmente você é mais real na minha cabeça do que jamais será em algum corpo humano, que eu vou gostar tanto, mas ainda vou gostar menos do que aqui, na minha cabeça.

Às vezes tenho uma impressão de que você está aqui e é só descer as escadas para te encontrar. Eu sei que posso descer e que, se descer, você vai estar lá. Eu posso. Está nas minhas mãos. Mas não desço. Fico aqui, nesse sofá velho. Nem me pergunte. Não sei porque.

Às vezes eu quero levantar e ir atrás de algo que não tenho aqui nesse sofá. Fico arquitetando por horas. Compro pelo computador tudo o que preciso para sair daqui. Mas antes de qualquer coisa acontecer eu desisto. Escrever dá sono, pensar da sono, arquitetar da sono e já que estou no sofá, aproveito para dar um cochilo.

Tem uns dias em que eu acordo tão bem que esqueço que quero sair para te encontrar.

Tem uns dias em que eu acordo tão angustiado que não consigo nem pensar em como ir te encontrar.

Tudo parece desculpa.

Tudo é desculpa.

Desculpas sem erros e também sem atitudes.

Seria muito mais fácil se você viesse me encontrar.

Mas fácil não tem graça.

Fácil não existe.

E você também não.

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Deus não apenas perdoa, ele esquece. Apaga a Lousa. Destrói as provas. Queima o filme. Formata o computador. Ele não se lembra dos meus erro...