quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Impossível ser esfinge: porque fico procurando ver nas pessoas o que elas teimam esconder. Distinguir o parece ser do que realmente é. Olhar a alma, analisar gestos. Não sou esperta, o esperto é sempre o mais bobo, porque de tanto achar que está vendo, não enxerga nada. Porque me olham, invadem, analisam e não me leem. Posso ser, séria, centrada, antissocial, bizarra, louca. Sou uma soma das experiências que vivi e um pouco do que cada pessoa me deixou.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016


"Não é à toa que entendo os que buscam caminho.
Como busquei arduamente o meu!
E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser,
o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido.
O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura 
de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores,
o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei.
Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros.
Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei:
eis o meu porto de chegada”.

[Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’]

Deus não apenas perdoa, ele esquece. Apaga a Lousa. Destrói as provas. Queima o filme. Formata o computador. Ele não se lembra dos meus erro...