Meu amor
O mundo está repleto de covardes
Que chegarão com flores e promessas vazias
Sedutores que não sabem o que significa cuidado
Cuidado!
Na verdade, eles são garotinhos assustados
Quando enxergarem o seu tamanho e profundidade eles se apequenam
Irão espernear e dizer que a culpa é sua
Irão desistir e você já viu isso acontecer muitas vezes
Mas a sua natureza é ser mar
Não se sinta mal por isso
Não é sua culpa
A imensidão não é para todos
É para quem tem coragem
Eles amam as poças de amor
Não se diminua
E quanto a mim
Quero meus dedos e minha alma enrugadas pelo tempo que irei ficar em ti.
P.S: Muitos já desistiram quando viram sua maré alta?
terça-feira, 5 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Seu Jorge já cantarolava, uma melodia de Chico Buarque: "Todo dia ela faz tudo sempre igual/ me sacode às seis horas da manhã/ me sorri um sorriso pontual/ e me beija com a boca de hortelã". Ambos os amantes não pareciam incomodados com a rotina que o casal compartilhava, e a composição não deixa transparecer qualquer desconforto com o cotidiano previsível. Mas e se ela o acordasse um pouco antes para encher de beijos com gosto de... maçã? Se não sorrisse ao acordá-lo, mas o pegasse desprevenido com cócegas que o fizesse perder o ar de tanto rir? E se ele faltasse no trabalho, um dia que seja, para aproveitar o dia na companhia dela?
Viver metodicamente é não viver. Você por acaso sabe se existe vida após essa aqui? Melhor não desperdiçar. Hortelã pode ser bom, mas há uma infinidade de sabores por aí.
Viver metodicamente é não viver. Você por acaso sabe se existe vida após essa aqui? Melhor não desperdiçar. Hortelã pode ser bom, mas há uma infinidade de sabores por aí.
quinta-feira, 31 de março de 2016
Eu prometi a mim, que eu só me casaria depois que eu vencesse o medo que eu tenho de nadar em lugares ermos. E também, depois de superar a aversão que eu tenho de psicanalistas, de medicamentos, de receitas de auto-ajuda, de discutir relacionamentos, da mentira disfarçada de verdade, da rotina em finais de semana, de propagandas de margarinas, do sexo feijão com arroz, do antes e o depois, dos meios sem fins, da implacável previsibilidade e da subjetividade que me dificulta determinar com total clareza os níveis de pH.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
"Não é à toa que entendo os que buscam caminho.
Como busquei arduamente o meu!
E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser,
o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido.
O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura
de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores,
o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei.
Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros.
Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei:
eis o meu porto de chegada”.
[Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’]
Como busquei arduamente o meu!
E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser,
o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido.
O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura
de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores,
o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei.
Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros.
Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei:
eis o meu porto de chegada”.
[Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’]
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
" Se você sobreviver sem mim, quem sabe poderemos nos encontrar em uma nova estrada. Eu não serei tão amigável, pois não a deixarei fugir levando o que não lhe pertence:
Meus eus infinitos, minha pele, meus vícios, minha necessidade de solidão. Claro que isso é apenas uma hipótese que estou considerando no caso de você conseguir sobreviver sem mim. "
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