segunda-feira, 21 de setembro de 2015

É verdade. É verdade que tens asas. 
Normalmente usas-as para me elevar ao céu. Nunca te disse, mas essas tuas asas, levam-te ao mais alto da vida, e de lá, avalias o mundo com esse teu ponto de vista tão próprio. 
É estranho amar-te assim, mesmo depois de tanta confusão junta. Mas essas tuas asas...

Peço-te por tudo, que sempre que voares me leves contigo, e que me mostres os mistérios do céu.
Estou super-orgulhosa de saberes voar sozinho.
Essa tua independência faz-me gostar mais ainda de ti.
Sempre que por algum motivo a vida te aleijar as asas, e te impedir o voo, eu vou estar aqui, e vou cuidar delas. Nem que para isso tenha de te enrolar em compressas, e obrigar-te a ficar na cama até recuperares totalmente.
Mas... na verdade... não te vim falar de asas.
Quero-te falar daquilo que me faz voar ainda um pouco mais alto: o meu amor por ti.
Esse é infinito, não tem principio nem fim. É eterno, porque em questões temporárias vais permanecer sempre em mim. Do meu todo, tu és mais de metade.
Pouco tempo, muito significado. Nós sabemos.
Entre sorrisos, vôos e âncoras.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Tenho corpo leve, não sou de atravancar caminho, ao menor obstáculo eu desvio, uso rota alternativa. Se assim mesmo algo me restringir, alço voo. Deixando tudo para trás, volto a ser quem eu sempre fui, um ser livre.

#msfull

quinta-feira, 18 de junho de 2015

- A tua sorte é que eu esqueço as coisas más que tu fazes.
- Coisas más? Que coisas más é que eu fiz?
- Não me lembro.
Se não fossem as minhas malas cheias de memórias
Ou aquela história que faz mais de um ano
Não fossem os danos
Não seria eu...

Clarice Falcão - Capitão Gancho

Viciados em companhia
Sozinho é uma coisa, solitário é outra. Sozinho é com, solitário é sem.
Não confio no amor de quem não consegue ficar sozinho.
Nunca foi ao cinema sozinho, nunca viajou sozinho, perambula pela rua feito um cão que se perdeu do dono. Sentar na lanchonete de uma livraria para tomar um cafezinho assemelha-se a uma catástrofe. Sua solidão lhe parece vergonhosa e indigesta, é evitada com o mesmo afinco com que evitaria a morte.
Para ele, qualquer parceria é melhor que nenhuma. Uma conversa enfadonha é melhor que o silêncio. Um chato é melhor que ninguém. É praticamente um viciado em companhia. E, como todo viciado, critério não é o seu forte.
Não confio no amor de quem não se suporta.
De quem telefona a fim de papo furado, de quem envia mensagens só para ouvir o sinal da chegada da resposta, de quem precisa se iludir de que não está só. Quem de nós não está só?
Uma manhã de frente para o mar, uma tarde com um livro, uma noite com um filme, três dias inteiros numa cidade estranha, uma rua que nunca foi atravessada, um museu com tempo livre à vontade, uma cama vazia – para ele, simulacros do inferno.
Não confio no amor de quem não se entretém.
De quem se desespera em frente ao espelho, de quem não consegue se maravilhar num jardim, de quem não viaja ao ouvir uma música, de quem não gosta de andar de ônibus enquanto aprecia a paisagem pela janela, de quem não se sente inteiro num trem.
Sozinho é uma coisa, solitário é outra. Sozinho é com, solitário é sem.
Eu sozinha sou muitas. Sozinha, tem mais sabor minha comida, tem mais foco o meu olhar, tem mais profundezas o meu ser. Sozinha tem mais espaço minha liberdade, tem mais imaginação a minha fantasia, tem mais beleza a minha individualidade. Sozinha tem mais força o meu pensamento, mais inteireza a minha vontade.
Não confio no amor de quem negocia sua autenticidade.
Como amar de verdade outro alguém, se não sabe de onde esse amor vem? Onde foi gerado, por que é necessário, que atributos ele contém? Amar é doar, não vem do doer. Amar é saber que aquele que a gente ama, se faltar, vai deixar saudade, mas não nos transformará num cadáver a vagar. Não confio em quem ama para ser um par, não confio em quem quer apenas se enquadrar, não confio em quem ama por não se tolerar.
Amar tem que ser extraordinário. Além do que já se tem.
Se sozinho você não se tem, amar vira tubo de oxigênio, ânsia, invenção e enredo barato, perde a dignidade, o amor vira muleta e trucagem. Confio no amor de quem não precisa amar por sobrevivência, de quem se basta e mesmo assim é impelido a se dar, porque dar-se é excelência, não é mendicância.
Não confio no amor de quem não se ama em primeira instância.
Martha Medeiros

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Eu entendo!

Se tem uma mania -e bem problemática– é o meu hábito de desligar o celular quando ele toca, abrir o olho uma hora depois, sair correndo porque já estou em cima da hora, procurar uma roupa que não precisa passar e torcer para que todos os sinais estejam verdes. 
Hoje eu não acordei atrasada. 
Hoje eu acordei duas horas antes, sem a sensação de estar sedada, porque não conseguia dormir. Devo tomar umas três canecas de café ao longo do dia, duas aspirinas, 3 litros de água e comer alguma coisa no meio termo. Sei que vou ficar batendo os pés debaixo da mesa numa inquietação que me acompanha desde de sempre, como se eu tivesse procurando alguma coisa. Como preenche o tempo que sobra? Da mesma forma que a gente preenche a falta de um amor que sempre esteve ali: não preenche, a gente só tenta substituir as horas vagas com alguma atividade nada importante.
Saí de casa duas horas mais cedo e parei num café que não vale metade do dinheiro que cobra, mas paga o silêncio. Enquanto passo as folhas de um livro qualquer, paro para observar um senhor na mesa do canto. Pessoas sozinhas em cafés caros que pedem alguma coisa enquanto anotam ou leem estão sempre fugindo de algo ou carregando um fardo. Sempre.
Bom, eu tinha duas horas para pensar e repensar no que foi me foi dito. A violência sentimental de quem ama a gente é brutal quando sincera, e um tanto quanto cruel também.
Paguei o café e continuei observando o senhor sentado no canto lendo Caio. Entendo a dor. Não sei se foi a namorada, namorado, mãe ou melhor amigo. Não entendo o fardo alheio como entendo o meu. Vejo abelhas, ele contorce, abana, tenta manda-las embora. Ele tenta, joga o café fora, não tem mais nada doce morando ali. E elas continuam avançando, devorando, ameaçando ferroadas. Não entendo a dor alheia. E nem ele entende que não adianta balançar os braços, tentar expulsar ou pagar um café caro em um lugar silencioso para botar as coisas pra fora. As dores são como as abelhas, com um único e agravante elas já estão dentro dele e dão ferroadas o tempo todo. Eu entendo.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A gente começa entender, depois que a gente cresce que,  a proteção amorosa, o suporte, a delicadeza, precisam começar na nossa relação com nós mesmos.