sábado, 5 de junho de 2010

A comédia da vida real


Estou com uma nostalgia hoje, que minha nossa... Parece que tem hora que perco o senso da realidade.
Consigo escrever muito nesses momentos e depois que termino o texto começo a ver as coisas de um modo diferente, como se as letras me dessem conselhos. Estranho isso, né?! Mais partindo da teoria que ninguém é normal, está tudo perfeito.
Vou deixar registrado aqui uma história sobre minha primeira paixonite colegial, porque ela me fez aprender algumas lições, e não se iludam, porque nem todas as lições que aprendo são colocadas em prática, e não é por negligência, é porque as vezes realmente não consigo.
Mas voltando a história da paixonite, na sétima série do colegial inventei uma paixão platônica, que naquele tempo eu chamava de amor, por um menino uns quatro anos mais velho e sofria muito, porque apesar dele ser muito educado comigo, a chance de um romance era praticamente zero, pra não dizer -10, sofri uns quatro anos por essa pessoa que inventei; inventei sim, porque para ser amor, teria que ter uma convivência com o tal moço, e nossa conversa quando durava muito eram dez minutos. Mas como essa sempre foi minha especialidade inventar paixões, criar pessoas que não existem e me apaixonar por elas, lá estava eu, sofrendo e amando um ser que tinha inventado... Hoje é engraçado mais na época era bem triste, porque eu ficava ligada a minha criação e no meu mundo ela era perfeita e essa ilusão não acabava nunca e frustrava meus possíveis relacionamentos que tinham seus problemas. O tal moço mudou, uns dez anos se passaram, durante esse tempo, consegui localiza-lo em Fortaleza e depois no Rio de Janeiro, trocamos msn, orkut, mais nada aconteceu. Há mais ou menos umas duas semanas atrás o telefone toca, e era a Fabrícia uma amiga que eu adoooooooro, me chamando pra ir para um barzinho, quando chego lá, já dá até pra imaginar quem estava na mesa, era ele mesmo em carne e osso, mais osso do que carne rsrs... (que ele não leia isso). Esse pessoal que estava na mesa era tudo de Iporá, a cidade onde a tal paixão começou, conversamos muito, hoje ele é meu amigo, e acho engraçado quando lembro daquele tempinho, onde perdia a fome quando ele me ligava, a ansiedade que eu ficava quando ele ia visitar os pais dele, porque teria chance de vê-lo, o sofrimento quando ele ia embora; acreditem, nunca aconteceu nem um selinho. Oh descontrole! Isso tudo para contar o que aprendi nesse dia, ele veio me deixou em casa, e conversamos um pouquinho e eu comecei a pensar, minha nossa não tenho nada a ver com esse moço, nada mesmo, idéias diferentes, gostos totalmente diferentes, sintonia para possível romance zero, eu admiro muito a sinceridade dele e forma como ele trata as pessoas, com lealdade e honestidade, e apesar de serem qualidades admiravéis, não seriam suficiente para a paixão que eu tinha inventado ela era muito mais "enfeitada". As pessoas mudam os gostos, os conceitos, as prioridades, coisas que antigamente eram tão importantes, hoje quase nem são lembradas, pessoas que hoje fazem seu coração disparar amanhã talvez não lhe façam nem levantar a cabeça. Naquela noite eu consegui ficar mais tranquila, e entender que realmente o tempo coloca tudo no seu devido lugar e  entrei em casa rindo da situação, que antes era tão pavorosa e agora parecia mais uma comédia.
Tem pessoas que tem uma grande resistência a mudanças, eu já tenho medo que as coisas nunca mudem...Mesmo que todo dia tenha que se inventar uma nova maneira de viver, que tenha que se adaptar novamente as mudanças que a vida e as pessoas exigem...Viver ainda é a coisa mais mágica que existe! By Raquel

2 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, você consegue transformar um "romance" adolescente em algo interessante de ler.

    Advaldo Alves

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  2. Advaldo, teve paciência para ler isso? kkkk
    Muito obrigada! :)

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