quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Deus não apenas perdoa, ele esquece. Apaga a Lousa. Destrói as provas. Queima o filme. Formata o computador. Ele não se lembra dos meus erros.
Para todas as coisas que Deus faz, existe algo que ele se recusa a fazer. Ele se recusa a manter uma lista dos meus erros.
Quando peço perdão, ele não puxa uma prancheta e diz: "Mas eu já o perdoei por esse mesmo pecado 516 vezes". Ele não se lembra.

Você e eu só precisamos de um lembrete ocasional da natureza de Deus, de sua natureza esquecedora.
Eu acredito que ele tem uma memória graciosamente péssima.
Leia esta poderosa passagem da carta de Paulo aos gálatas e sinta o coração disparar. Prepare-se para emocionar-se: "Pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram." (Gl 3.27)
Nós nos revestimos de Cristo. Quando Deus olha pra nós, ele não nos vê. Vê Cristo! Nós o vestimos, estamos ocultos nele, cobertos por ele.
Presunçoso, você diria? Sacrílego?
Seria, se fosse ideia minha. Mas não é; é dele. Somos presunçosos não ao nos maravilhar com sua graça, mas ao rejeitá-la. E somos sacrílegos não quando clamamos seu perdão, mas quando permitimos que os pecados assombrosos de ontem nos convençam de que Deus perdoa sem esquecer.
Faça a si mesmo um favor. Purifique seu porão. Exorcize seu subsolo. Pegue os pregos romanos do Calvário e tranque a porta.
E lembre-se: ele esqueceu.
Max Lucado
E surpreendentemente, somos alcançados pela revelação da graça que nos está disposta. Não somos órfãos, não estamos perdidos, não estamos sozinhos, Deus nos vê. E o olhar Dele sobre nós muda tudo, transforma tudo, conserta tudo. #God

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

"Vamos chorar juntos, baixinho.
Por ter sofrido e continuar tão docemente.
A dor cansada numa lágrima simplificada”.
[Clarice Lispector in Perto do Coração Selvagem]

Tão lindo!
E continuamos, docemente!!! 💜

terça-feira, 10 de maio de 2016

Por vezes se busca no outro profundidade, quase sempre acha superfície. Não vou negar que por mergulhar no raso ganhei belos arranhões e sérios machucados, todos devidamente recuperados. Aprendi a observar antes de efetivamente mergulhar.
Mais importante do que encontrar alguém é saber se a ponte que ligará vocês é realmente firme. E olha só, você não vai explicar nada pelo caminho, sabe porque? Por que você não sabe se o outro quer seguir por onde pretende ir. Sabendo que ele não quer, siga você por onde quer. Pior do que não saber para onde ir, é alguém que te faça voltar com ele.
Finalmente alguém teve coragem de estar ao meu lado quando eu parecia arisca demais. Você me mostrou uma ponte firme e um propósito consistente. Eu só queria seguir pelo meu percurso sozinha, já deixei pessoas para trás e não me arrependo disso. Só não imaginava encontrar alguém que fosse se empenhar em me mostrar um novo caminho, com a proposta de sermos dois.
É admirável encontrar alguém que queira abrir mão de uma agenda corrida e concorrida para te ter por perto, e que mesmo com os olhos grudados no e-mail do trabalho ainda consiga te dar atenção.
Uma segurança rara de sentimento e parceria.Por fim, admirar alguém também requer coragem, não apenas nos momentos em que um ou outro está mais arisco, mas nos momentos de calmaria. É ter coragem para deixar ir, mesmo querendo que o outro fique. É continuar sendo porto seguro quando o barco está no mar. É simplesmente estar. Mais importante que alimentar o amor é administrar a admiração. Nem de mais, nem de menos, apenas o suficiente para ser estável.
Estado cívil? Admirado. Admirando
Cotidiano dela...

terça-feira, 5 de abril de 2016

Meu amor
O mundo está repleto de covardes
Que chegarão com flores e promessas vazias
Sedutores que não sabem o que significa cuidado
Cuidado!
Na verdade, eles são garotinhos assustados
Quando enxergarem o seu tamanho e profundidade eles se apequenam
Irão espernear e dizer que a culpa é sua
Irão desistir e você já viu isso acontecer muitas vezes
Mas a sua natureza é ser mar
Não se sinta mal por isso
Não é sua culpa
A imensidão não é para todos
É para quem tem coragem
Eles amam as poças de amor
Não se diminua
E quanto a mim
Quero meus dedos e minha alma enrugadas pelo tempo que irei ficar em ti.
P.S: Muitos já desistiram quando viram sua maré alta?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Seu Jorge já cantarolava, uma melodia de Chico Buarque: "Todo dia ela faz tudo sempre igual/ me sacode às seis horas da manhã/ me sorri um sorriso pontual/ e me beija com a boca de hortelã". Ambos os amantes não pareciam incomodados com a rotina que o casal compartilhava, e a composição não deixa transparecer qualquer desconforto com o cotidiano previsível. Mas e se ela o acordasse um pouco antes para encher de beijos com gosto de... maçã? Se não sorrisse ao acordá-lo, mas o pegasse desprevenido com cócegas que o fizesse perder o ar de tanto rir? E se ele faltasse no trabalho, um dia que seja, para aproveitar o dia na companhia dela?
Viver metodicamente é não viver. Você por acaso sabe se existe vida após essa aqui? Melhor não desperdiçar. Hortelã pode ser bom, mas há uma infinidade de sabores por aí.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Eu prometi a mim, que eu só me casaria depois que eu vencesse o medo que eu tenho de nadar em lugares ermos. E também, depois de superar a aversão que eu tenho de psicanalistas, de medicamentos, de receitas de auto-ajuda, de discutir relacionamentos, da mentira disfarçada de verdade, da rotina em finais de semana, de propagandas de margarinas, do sexo feijão com arroz, do antes e o depois, dos meios sem fins, da implacável previsibilidade e da subjetividade que me dificulta determinar com total clareza os níveis de pH.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Impossível ser esfinge: porque fico procurando ver nas pessoas o que elas teimam esconder. Distinguir o parece ser do que realmente é. Olhar a alma, analisar gestos. Não sou esperta, o esperto é sempre o mais bobo, porque de tanto achar que está vendo, não enxerga nada. Porque me olham, invadem, analisam e não me leem. Posso ser, séria, centrada, antissocial, bizarra, louca. Sou uma soma das experiências que vivi e um pouco do que cada pessoa me deixou.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016


"Não é à toa que entendo os que buscam caminho.
Como busquei arduamente o meu!
E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser,
o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido.
O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura 
de um modo de andar, de um passo certo.
Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores,
o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei.
Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é outro, é os outros.
Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei:
eis o meu porto de chegada”.

[Clarice Lispector in Crónicas no ‘Jornal do Brasil (1968)’]